As discussões sobre Inteligência Artificial (AI) e o impacto no mercado de trabalho está em alta no último ano. Pesquisas globais no Google por “meu trabalho está seguro?” duplicaram nos últimos meses, pois as pessoas temem ser substituídas pelos grandes modelos de linguagem (LLMs).

Mas o que a IA generativa significará para o futuro do trabalho? À medida que os computadores e a tecnologia evoluíram, esta tem sido uma das questões mais frequentes. Tal como acontece com muitos desenvolvimentos tecnológicos ao longo da história, o avanço da inteligência artificial criou receios de que os trabalhadores humanos se tornem obsoletos.

A Inteligência Artificial Generativa

Antes de nos aprofundarmos nas formas como a IA impactará o futuro do trabalho, é importante começar de forma simples, definindo-a.  A IA generativa é um subconjunto de aprendizado de máquina que se concentra na criação de algoritmos que podem gerar novos dados com base em padrões existentes. Pode ser aplicado à arte, música, design, robótica, entre outros. E, como tal, pode encurtar radicalmente a distância entre a ideia e a realidade das seguintes maneiras:

Automatizando a geração de conteúdo: os modelos de IA podem criar automaticamente artigos, blogs, postagens em mídias sociais, respostas de e-mails, relatórios, planilhas e outros.

Variedade crescente: os modelos de IA mais recentes podem criar diversas variações de um conteúdo em texto, imagens e vídeo.

Personalização de conteúdo: os modelos de IA podem personalizar o conteúdo com base nas preferências de usuários específicos, usando dados para adaptar o material de forma inteligente para cada perfil.

Algoritmos de inteligência artificial são projetados para tomar decisões, muitas vezes usando dados em tempo real. Por meio de sensores, dados digitais ou entradas remotas, combinam informações de diversas fontes diferentes, analisam o material instantaneamente e agem de acordo com os insights derivados desses dados. Com enormes melhorias nos sistemas de armazenamento, velocidades de processamento e técnicas analíticas, eles são capazes de proporcionar a geração de conteúdo, análises e ajudar na tomada de decisões.

Os humanos podem ou não competir a Inteligência Artificial?

Dada a forma como a inteligência artificial tem sido retratada, em particular em alguns filmes de ficção científica, é claro que o advento desta tecnologia criou o medo de que a IA um dia torne os seres humanos obsoletos no mercado de trabalho. Afinal, muitas tarefas que antes eram executadas por mãos humanas tornaram-se automatizadas. É natural temer que o salto nessa direção possa anunciar o fim do trabalho tal como o conhecemos.

Mas a IA não está aqui para substituir os humanos. A invenção do teclado não impediu o uso de canetas. As pessoas ainda tocam música com instrumentos tradicionais, não apenas em computadores. O advento de novas ferramentas de IA não é a sentença de morte para a criatividade humana – não importa quantas manchetes digam o contrário.

Um artigo recente publicado pela Task Force do MIT, intitulado “Inteligência Artificial e o Futuro do Trabalho”, analisou atentamente os desenvolvimentos na IA e a sua relação com o mundo corporativo.  Em vez de promover o fim do trabalho humano, o documento prevê que a IA continuará a impulsionar a inovação massiva que alimentará muitas indústrias e poderá ter o potencial de criar outros setores, refletindo na geração de mais empregos.

Embora a IA tenha feito grandes avanços no sentido de replicar a eficácia da inteligência humana na execução de certas tarefas, ainda existem grandes limitações. Em particular, os programas de IA normalmente só possuem uma inteligência especializada, o que significa que podem resolver apenas um problema e executar apenas uma tarefa de cada vez. Frequentemente, eles podem ser rígidos e incapazes de responder a qualquer mudança nas informações ou de realizar algo fora de sua programação prescrita.

As pessoas, no entanto, possuem Inteligência generalizada, com o tipo de resolução de problemas, pensamento abstrato e julgamento crítico que continuarão a ser importantes nos negócios. O julgamento humano será relevante, senão em todas as tarefas, pelo menos em todos os níveis e setores.

Outra limitação importante a ser observada é que os próprios dados podem conter preconceitos e refletir desigualdades sociais, e se inseridos em uma IA, é provável que esses vieses sejam transferidos para os resultados gerados. Nos Estados Unidos houve até um projeto apresentado no Congresso chamado Lei de Responsabilidade Algorítmica com o objetivo de forçar a Comissão Federal de Comércio a investigar o uso de qualquer nova tecnologia de IA pelo potencial de perpetuar preconceitos.

Além disso, existem muitos outros fatores que podem limitar o avanço descontrolado da IA. A tecnologia requer frequentemente aprendizagem, que pode envolver enormes quantidades de dados, levantando questões como a privacidade e a segurança em torno dessas informações. Há também a limitação do poder de computação e processamento.

Diante desses fatores o estudo argumenta que está muito longe de chegar a um ponto em que a IA seja comparável à inteligência humana e possa, teoricamente, substituir inteiramente os trabalhadores.

Inteligência Artificial e o mercado de trabalho

A IA já desempenha um papel importante no processo de contratação, tanto que até 75% dos currículos são rejeitados por um sistema automatizado de rastreamento de candidatos (ATS), antes mesmo de chegarem a um ser humano.  Também é possível usar ferramentas de IA generativas para criar os anúncios de vagas.

No passado, recrutadores dedicavam um tempo considerável examinando currículos em busca de candidatos relevantes. Dados do LinkedIn mostram que os recrutadores podem gastar até 23 horas analisando currículos para uma contratação bem-sucedida.

Em 2018, 67% dos gestores de contratação afirmaram que a IA estava facilitando o seu trabalho.

Da mesma forma que recrutadores podem usar a IA para os processos de seleção, os profissionais podem usar a tecnologia para a candidatura. Hoje já existem diversas ferramentas que comparam o currículo com as descrições de vagas e fornece insights sobre como ajustá-lo para que seja aderente a uma determinada posição, com o objetivo de vencer um sistema de rastreamento de candidatos.

Além disso, a Inteligência Artificial estará cada vez mais no topo das listas de habilidades importantes para o mercado de trabalho. Prevê-se que os empregos que requerem competências em IA ou aprendizagem de máquina aumentem 71% nos próximos cinco anos. Por isso, manter-se atualizado continua sendo a melhor forma de manter ou conquistar um emprego.

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